Dos primórdios à logística internacional



Dos primórdios à logística internacional

*Escrito pelo Professor Alberto Aguirre


Hoje, todos reconhecem que a Logística tem um papel fundamental na vida do nosso dia a dia, e o pensamento geral é que ela é uma realização recente, oriunda da segunda metade do século XX. Mas o seu início se deu há muito tempo atrás.


Início – Logística Militar

A Logística tal como a conhecemos atualmente tem sua origem nas atividades militares, já na Antiguidade, quando exércitos percorriam grandes distâncias para conquistar novas terras e riquezas. A Logística é parte da arte militar que objetivava garantir os meios e condições necessárias de movimentação, suprimentos, alojamento e transporte.

Os primeiro registros históricos da utilização de princípios logísticos remonta por volta do ano 500 a.C., relatadas no livro Arte da Guerra, escrita por Sun Tzu (511 – 496 a.C.), general do Imperador Chinês, na defesa de seu território, destacando as mais importantes:

Vence quem faz muitos cálculos, antes,

Trazer o necessário e pilhar o inimigo para as necessidades, e,

Sem comboio de suprimentos, sem provisões ou sem bases de suprimentos, o exército está derrotado.



O imperador persa Xerxes empregou em 481 a.C. mais de 3.000 navios de transporte para movimentar seu exército mais rapidamente, na guerra com os gregos, e surpreendê-los, o que acabou acontecendo.

A mais significativa colaboração para a Logística Militar vem de Alexandre III, o Grande (356 – 323 a.C.), general e rei macedônico, que conquistou a Grécia, Pérsia, Índia, Egito, e apesar de seu império ter durado apenas 13 anos, deixou valiosas contribuições, que destacamos:


  • Centralização de todas as decisões;

  • Inclusão da logística em seu planejamento estratégico, gerenciando o sistema como um todo;

  • Pesquisa minuciosa dos exércitos inimigos, campos de batalha e fatores climáticos;

  • Envio de emissários à frente, para providenciar suprimentos e montar armazéns no trajeto;

  • Utilização inovadora de novas tecnologias de armamentos, mais leves.



Com tudo isso, criou a tropa mais móvel e mais rápida dessa época. Os outros exércitos se deslocavam a uma média de 16 km/d, por empregar carros de boi no transporte dos suprimentos, enquanto o de Alexandre desenvolvia uma média de 32 km/d, devido a não carregar mais do que 10 dias de suprimentos, e os bois foram substituídos por cavalos, menos carga com mais velocidade.

Para se ter uma ideia, mencionamos apenas duas das necessidades de consumo diário do contingente de 35.000 homens, que envolviam cerca de 100 toneladas de alimentos e 300.000 litros de água.

Desde então, pouco foi acrescido à Logística Militar. Com Luís XIV (1670), rei de França, foi criado o cargo de Marechal de Logis para assuntos de planejamento das marchas, seleção dos campos e regulamentação do transporte e fornecimento.

O maior exemplo da utilização de Logística foi o Dia D, com milhares de soldados, aviões e navios, todos sincronizados para a invasão à Europa, na segunda guerra mundial.


Da Logística Militar para a Logística Empresarial

No pós-guerra (1945) a produção era maior que a demanda (pela 1ª vez), e as necessidades, que estavam represadas por mais de quatro anos, precisavam ser atendidas rapidamente, num ambiente quase de caos.

Esta mistura de arte e ciência milenar começou a ser empregada entre o final dos anos 1940 e início dos 1950 (nos EUA), com os ensinamentos da Logística Militar, trazidos para o meio empresarial, originando a Logística Empresarial. Inicia-se um atendimento através de atividades ordenadas de estocagem dos produtos acabados e de transporte, na entrega até os clientes.

Esse serviço, inicialmente alocado dentro do serviço de pós-venda, ligado à Área Comercial, denomina-se de Distribuição Física.

Como os resultados foram além das expectativas, a Logística desprende-se da Área Comercial e adquire personalidade própria, começando a assumir a entrada dos materiais nas empresas e o abastecimento das linhas de produção, passando à fase conhecida como Logística Integrada.

Com o desenvolvimento dos negócios, e a necessidade de abastecer os clientes de forma mais imediata, temos a Cadeia de Suprimento ou de Abastecimento, que através da Tecnologia de Comunicação e Informação (TIC), com todos os componentes da Cadeia (fornecedores, fabricantes e clientes) interligados, pode-se acompanhar a marcha das vendas e repor os estoques de todos os seus integrantes, de forma automática.


Ondas da Logística


Primeira onda:

Criação interna dos setores e atividades: iniciada no Brasil nos anos 1970, dentro da Área Comercial, para melhorar a qualidade de atendimento aos clientes, cria-se o serviço de Distribuição Física que administra os estoques de produtos acabados, providencia a entrega os pedidos de vendas aos clientes, sendo responsável pela Estocagem e Transporte.


Segunda onda:

Terceirização dos serviços: aparecimento de empresas especializadas, no Brasil, nos anos 1990. Com a necessidade de especialização, eficiência e rapidez no atendimento aos clientes, e por fugir de seu core-business, as empresas buscam no mercado operadores logísticos, com toda a estrutura e recursos para um serviço de qualidade e rapidez exigida pelo mercado.


Terceira onda:

Comércio virtual: as vendas pela internet se popularizam e exigem a capilarização das entregas, iniciada no Brasil nos anos 2000, que devido às características de dispersão geográfica e oferta dos mais variados tipos de produtos, exigem um repensar no atendimento logístico.






Logística Internacional

Podemos resumir as atividades da Logística internacional nas suas três “milhas”:

First mile: transporte intercontinental (marítimo) das fábricas aos Centros de Distribuição em outros países.

Middle mile: transporte intracontinental (ferroviário e rodoviário) dos Centros de Distribuição aos Centros de Transbordo dos Atacadistas, Distribuidores, Varejistas e Clientes em Geral.

Last mile: entrega aos destinos finais B2C, B2B. A atenção está focada na agilização do atendimento neste estágio, que representa em média 28% do valor logístico, na localização (proximidade) nos grandes centros urbanos, e na roteirização e informações de tráfego, questões estratégicas fundamentais.

Todos esses detalhes estão contemplados na disciplina Logística e Distribuição Física Internacional, do Curso de Pós-graduação em Comércio Exterior.



Pós-Graduação