Biblioteca comunitária é exemplo de iluminação e ventilação natural



Biblioteca comunitária é exemplo de iluminação e ventilação natural
(Foto: KIE/Ciclo Vivo-Reprodução)



Construído na Indonésia, o espaço aposta na arquitetura bioclimática e no design multifuncional.


A cidade de Semarang, da ilha de Java, na Indonésia, acaba de ganhar uma pequena biblioteca. Na estrutura foi aplicada a arquitetura bioclimática, o design multifuncional, cujos móveis agregam duas ou mais finalidades, e ainda o uso de madeira certificada.


Batizada de Warak Kayu, a micro biblioteca é elevada do nível natural do solo. Uma inspiração da arquitetura tradicional do país. O método assemelha-se ao sistema construtivo de palafitas, geralmente, construído em regiões alagadiças.


Ao “suspender” a biblioteca foi criado um espaço aberto no térreo. Tal área pode ser aproveitada para diversos fins. Já a escada, que dá acesso ao prédio de fato, foi pensada para funcionar também como uma arquibancada.



Arquitetura Bioclimática


Neste tipo de arquitetura busca-se aproveitar as condições climáticas locais, de forma inteligente, em favor de uma construção sustentável. Entre os destaques, foi implantado brise-soleil e saliências no telhado, que impedem a incidência direta de radiação solar.


(Foto: KIE / ArchDaily - Reprodução)


Já as paredes de madeira possuem aberturas que promovem a ventilação cruzada para resfriar o interior do imóvel. Isso elimina a necessidade de ar condicionado, garantindo mais conforto térmico sem grandes gastos energéticos.


Também chama atenção a biblioteca ser feita inteiramente a partir de produtos certificados FSC. O selo garante que as madeiras foram cultivadas e cortadas de maneira totalmente sustentável.


Espaço para a comunidade


O interior da biblioteca inclui uma mesa com oito lugares, bancos adicionais e um divertido “piso de rede” (pode ser visto na imagem abaixo), que funciona como um sofá para ler e relaxar.


(Foto: KIE/ ArchDaily-Reprodução)


O objetivo maior é estimular o hábito da leitura, mas para atrair o público é preciso criatividade. Por isso, o escritório de arquitetura Shau projetou espaços atrativos que favorecessem a criação de um centro comunitário.


A biblioteca Warak Kayu está instalada em uma praça pública do centro da cidade. Ela é parte de uma série de pequenas bibliotecas construídas no país.


O projeto tem parceria da empresa de madeira pré-fabricada PT Kayu Lapis Indonésia e foi financiado pela Fundação Arkatama Isvara. O espaço é público, gratuito e administrado pelo Harvey Center, uma instituição sem fins lucrativos, em parceria com a prefeitura de Semarang.


Um marco urbano com programas variados


A Microbiblioteca Warak Kayu é o quinto projeto da série Microlibraries a sair do papel – uma iniciativa desenvolvida para estimular o interesse das pessoas pela leitura através da criação de espaços comunitários multifuncionais e projetos de arquitetura sustentáveis, que visam atender a necessidades da população de baixa renda da cidade. 


O projeto contou com o engajamento da comunidade civil, do setor privado e do governo – um presente da Fundação Arkatama Isvara para a cidade de Semarang. A microbiblioteca, pública e gratuita, é administrada pelo Harvey Center – uma instituição sem fins lucrativos – em parceria com o governo local da cidade de Semarang.


Formalmente, o edifício da micro biblioteca expressa a busca contínua da SHAU por uma arquitetura passiva, com materiais e soluções projetuais adaptadas ao contexto local específico de Java. Após uma série de experimentos formais, os arquitetos optaram por elevar o edifício do solo, liberando o térreo em uma abordagem estrutural que se assemelha a um casa em palafita, ou as tradicionais ‘rumah panggung’. Esta solução não apenas permite acolher o programa da biblioteca, mas agregar valor ao espaço urbano, incorporando também um centro comunitário como espaço de encontro e convívio, ao mesmo tempo que promove soluções de projeto sustentáveis, criando um novo marco urbano para a região central de Semarang.


Ao elevar o edifício do solo, foi possível incorporar diversos programas alternativos e complementares à biblioteca. No térreo, um amplo espaço aberto e coberto foi criado, o qual pode ser utilizado para a realização de cursos e oficinas, além de contar com uma escadaria que, ao mesmo tempo que permite acesso ao nível superior da biblioteca, pode ser utilizada como uma arquibancada durante a projeção de filmes ou espetáculos e eventos abertos à comunidade. 



(Foto: KIE/ARchDaily - Reprodução)


O espaço programático no térreo é definido apenas por um perímetro de canteiros elevados, criando uma sensação de proteção e uma atmosfera mais íntima. No nível superior, no espaço da biblioteca propriamente dito, uma rede foi instalada no piso, funcionando como um grande sofá onde é possível deitar-se, relaxar e ler, além de permitir a comunicação direta com as pessoas que se encontram do lado de fora. ‘’Para nós, era fundamental que o projeto da microbiblioteca incorporasse também uma série de outros programas, fazendo com que o edifício se transformasse em um centro comunitário per se, já que a leitura, por si só, ainda não é considerada uma atividade atrativa o suficiente para operar de forma independente’’.


A Micro Biblioteca Warak Kayu é o mais recente projeto construído na histórica cidade de Semarang, capital da província de Java Central, Indonésia. O edifício foi implantado junto à Taman Kasmaran, uma praça pública do centro da cidade, muito próxima à Kampung Pelangi, ou “bairro arco-íris”, uma das principais atrações turísticas da região. A praça é um tradicional espaço de encontro e socialização, intimamente conectada à vida social do bairro. 


O atual prefeito de Semarang – Hendrar Prihadi – anunciou recentemente em público o seu entusiasmo com a nova micro biblioteca de Semarang, afirmando que o edifício deverá ser incorporado às principais rotas turísticas da cidade, ele será o ponto final do percurso gratuito de ônibus oferecido aos turistas que frequentam a cidade no norte da ilha de Java. Nesse sentido, a micro biblioteca não servirá apenas ao bairro, mas a toda cidade, criando um novo marco urbano para a cidade de Semarang.



Fontes:

- Ciclo Vivo

- ArchDaily Brasil


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